Por Marcelo Rebelo
Jornalista e editor do Mova-se Inconfidentes
A foto do encontro entre os grupos liderados por Ricardo Oliveira e Alex Salvador, na sexta-feira, dia 12, é simbólica. Dois adversários recentes lado a lado, sob o lema “Dias Melhores Virão”. O gesto é correto e necessário. Mas, fotografia não ganha eleição e tampouco apaga erros recentes que ainda pesam sobre a oposição em Itabirito.
É necessário olhar para essa aproximação pelo prisma da última eleição. Ali, a oposição falhou de forma retumbante. Entrou fragmentada, mal coordenada e confiante além da conta. Pagou caro por isso. O resultado foi uma derrota histórica, com cerca de 10 mil votos de diferença entre o vencedor e o segundo colocado. Um número que não admite relativizações. Mesmo somando os votos do segundo e do terceiro colocados, Alex e Ricardo, a oposição não teria força suficiente para derrotar uma máquina governista com recursos, muito organizada e politicamente capilarizada.
Houve, ainda, erros primários e evidentes. Subestimou-se o adversário apostando que a suposta ausência de carisma do atual prefeito seria determinante. Não foi. Eleição se vence com recursos, estrutura, estratégia e presença territorial. Carisma ajuda muito, mas não substitui uma máquina administrativa forte. E o erro mais difícil de defender foi a insistência da candidatura inabilitada de Alex. Em disputa majoritária, isso não é ousadia nem estratégia: é imprudência e amadorismo, no mínimo.
Diante desse cenário, a sinalização de unir os opositores é, sim, um passo na direção correta. Chega tarde, mas chega. A oposição finalmente admite que a fragmentação nas últimas eleições foi decisiva para suas derrotas consecutivas. O problema é que reconhecer o erro não significa, automaticamente, corrigi-lo.
É aqui que mora o perigo. União não se constrói por conveniência momentânea nem se sustenta apenas pelo medo de perder de novo. Ela exige maturidade política, capacidade de diálogo e, sobretudo, disposição para abrir mão de protagonismo. Ricardo e Alex são lideranças experientes, mas também acumulam históricos de disputas, vaidades e projetos pessoais acima dos próprios grupos. Se esse encontro não representar uma mudança real de postura, o risco de a aliança naufragar é certo.
Se a oposição quiser ser levada a sério, precisará ir além da fotografia acima. Será preciso redefinir rumos, estabelecer prioridades e trabalhar com método e estratégia. Comunicação profissional, articulação com lideranças e vereadores, planejamento, captação de recursos e capilaridade política, não são detalhes, são o básico. União sem estratégia vira apenas um ajuntamento circunstancial. E ajuntamento de gente emocionada não vence eleição.
Essa união deve ser lida como um começo importante e necessário, mas frágil. Se vai se transformar em algo duradouro ou em mais um capítulo de frustração, vai depender da capacidade de Ricardo e Alex em colocarem esse projeto acima das próprias vaidades. Caso contrário, essa tal aliança não vai passar de uma mera fotografia sem valor.





