Quem observa apenas o calendário pode acreditar que a próxima eleição para prefeito ainda está distante. Mas a movimentação dos principais grupos políticos da cidade mostra exatamente o contrário.
A corrida por 2028 já começou.
E o motivo é simples. O desgaste da atual administração abriu espaço para que lideranças e grupos políticos começassem a se posicionar muito antes do previsto.
Nos últimos dias, um movimento chamou a atenção. O vereador Renê Butekus anunciou que pretende disputar uma vaga na Assembleia Legislativa. Ele se junta ao ex-prefeito Orlando Caldeira, que também trabalha uma candidatura a deputado estadual. Ao mesmo tempo, Ricardo Oliveira busca viabilizar seu nome para uma disputa à Câmara Federal.
À primeira vista, parece apenas mais uma eleição para cargos legislativos.
Mas quem acompanha a política local sabe que o jogo é mais complexo.
A disputa de 2026 poderá funcionar como uma espécie de eliminatória para a eleição municipal de 2028.
Uma votação expressiva dará musculatura política, visibilidade e capacidade de articulação. Uma votação decepcionante poderá enfraquecer projetos que hoje parecem competitivos.
Orlando entra na disputa tentando demonstrar que seu grupo político continua forte. Ao mesmo tempo, enfrenta o desafio de disputar uma eleição em um momento em que a atual administração acumula desgastes e cobranças. Para aliados, uma boa votação reforçaria sua liderança.
Renê aposta em outro caminho. Principal voz de oposição ao governo municipal, o vereador tenta transformar atuação política em votos. O movimento também marca uma busca por protagonismo próprio em um cenário onde nomes tradicionais do grupo político dele perderam espaço ou enfrentam limitações jurídicas. Uma votação expressiva pode consolidá-lo como uma das principais lideranças do campo oposicionista para os próximos anos.
Ricardo Oliveira também entra nesse tabuleiro tentando ampliar sua viabilidade política. Sem a mesma estrutura dos principais grupos da cidade, sua missão será construir alianças e demonstrar que ainda pode ocupar um espaço relevante na disputa pelo futuro político de Itabirito.
Por trás das candidaturas, existe uma realidade difícil de ignorar. O cenário político da cidade já começa a olhar para o pós Élio da Mata.
Toda administração desgastada cria um vácuo. E na política, espaços vazios raramente permanecem vazios por muito tempo.
É exatamente isso que está acontecendo em Itabirito.
Enquanto o governo enfrenta cobranças e tenta recuperar fôlego, possíveis sucessores começam a ocupar terreno, testar forças e medir o tamanho de seus grupos políticos.
Por isso, a eleição de 2026 pode ter um peso muito maior do que parece.
Não será apenas uma disputa por cadeiras em Belo Horizonte ou Brasília.
Será o primeiro grande teste para aqueles que sonham em sentar na cadeira mais importante do município.
O calendário ainda marca 2026.
Mas a política de Itabirito já começou a discutir 2028.
Marcelo Rebelo | Jornalista e editor do site Mova-se Inconfidentes





