Itabirito arrecadou R$ 2,646 bilhões em Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) entre 2016 e 2025 e continua entre os municípios que mais recebem recursos da mineração em Minas Gerais. Mas um novo cenário começa a preocupar cidades mineradoras. A reforma tributária muda a forma de distribuição dos impostos sobre o consumo e pode reduzir, ao longo dos próximos anos, parte das vantagens dos municípios produtores.
Hoje, uma parcela da arrecadação dos impostos fica onde a riqueza é produzida. Com a reforma, essa lógica muda gradualmente. O novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) dará mais peso ao município onde o produto ou serviço é consumido. Na prática, cidades que produzem muito, mas têm mercado consumidor menor, tendem a perder espaço na divisão dessa arrecadação.
A CFEM não muda e continuará sendo paga aos municípios mineradores. O desafio passa a ser outro. Reduzir a dependência de uma única atividade econômica e fortalecer novas fontes de receita.
Os números ajudam a entender esse cenário. Somente em junho de 2026, Itabirito arrecadou R$ 22,3 milhões em CFEM, ocupando a 5ª posição entre os maiores arrecadadores de Minas Gerais, segundo levantamento da página Cidades Minerais, com base em dados da Agência Nacional de Mineração (ANM).
Outro levantamento da mesma página colocou Itabirito na 7ª posição entre os municípios mineiros mais dependentes da mineração, reforçando o peso que o setor ainda exerce sobre a economia local.
É nesse contexto que o economista itabiritense Willer Moraes defende a criação de um fundo soberano municipal. Para ele, parte das receitas extraordinárias da mineração deveria ser reservada para enfrentar futuras quedas na arrecadação e financiar investimentos capazes de diversificar a economia.
Marcelo Rebelo | Jornalista e editor do site Mova-se Inconfidentes





