“A riqueza é finita. Itabirito não”: economista defende fundo soberano após ranking sobre dependência da mineração

Willer Moraes quer a criação de um fundo soberano em Itabirito

A divulgação de um ranking que coloca Itabirito entre os municípios mineiros com maior dependência da mineração reacendeu um debate importante na cidade. Como transformar a riqueza gerada hoje pelo minério em desenvolvimento para as próximas gerações.

Elaborado pela página Cidades Minerais, o levantamento posiciona Itabirito na 7ª colocação entre os dez municípios de Minas Gerais mais dependentes da atividade mineral.

Itabirito é o sétimo lugar no ranking

Segundo os responsáveis pela publicação, a lista foi construída com base em indicadores como produção mineral, arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), participação da mineração na economia municipal e estudos de instituições como IBGE, Agência Nacional de Mineração (ANM), Fundação João Pinheiro (FJP) e Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM).

A própria publicação ressalta que não se trata de um ranking oficial elaborado por um único órgão público, mas de uma análise baseada na combinação desses diferentes indicadores.

Debate sobre o futuro

Mais do que a posição ocupada por Itabirito na lista, a publicação trouxe novamente à discussão um tema recorrente no município. A necessidade de preparar a economia para um futuro menos dependente da mineração.

Em comentário na própria publicação, o economista itabiritense Willer Moraes defendeu a criação de um fundo soberano municipal, destinado a reservar parte das receitas da mineração para enfrentar períodos de queda na arrecadação e financiar projetos de diversificação econômica.

Segundo ele, Itabirito deixou de aproveitar anos de arrecadação recorde para formar uma reserva financeira que pudesse garantir maior estabilidade no futuro.

Para Moraes, os rendimentos desse fundo poderiam ser destinados a investimentos em infraestrutura, saúde, turismo, inovação e outras iniciativas voltadas ao desenvolvimento econômico do município.

O economista também chama atenção para os desafios que poderão surgir com a reforma tributária e defende que cidades mineradoras reduzam, gradualmente, sua dependência dessa atividade.

A reflexão é resumida em uma frase dele que sintetiza esse debate: “A riqueza é finita. Itabirito não.”