O crescimento expressivo no número de indicações apresentadas pelos vereadores de Itabirito em 2025 chama a atenção e merece uma análise cuidadosa. Os dados oficiais da Câmara Municipal revelam um movimento fora do padrão, que pode indicar fragilidades tanto na condução da gestão urbana quanto na forma como o Legislativo vem se posicionando diante desses problemas.
Entre 2022 e 2024, o volume de indicações manteve-se estável, com variações moderadas: foram 1.512 em 2022, 1.874 em 2023 e 1.713 em 2024. Em 2025, no entanto, o total saltou para 2.492 registros, um aumento próximo de 40% em apenas um ano. A ampliação do número de cadeiras no Legislativo não explica esse crescimento, já que dois novos vereadores não seriam suficientes para justificar cerca de 700 indicações adicionais.
O conteúdo das indicações dá pistas sobre o cenário. Somente em 2025, 265 pedidos trataram de capina e limpeza urbana, 194 de tapa-buracos, 95 instalação, retirada e manutenção de quebra-molas, 63 de poda de árvores, 118 de sinalização viária e 26 de troca de lâmpadas, dentre outras. São demandas básicas, previsíveis e recorrentes, que fazem parte da rotina de qualquer município e que, em uma gestão minimamente organizada, deveriam ser resolvidas antes de virar ofício no balcão do protocolo.
Quando esse tipo de serviço passa a depender, em larga escala, de indicações parlamentares, o problema deixa de ser apenas legislativo e passa a ter caráter claramente administrativo. O volume de pedidos pode demonstrar indícios de dificuldades na zeladoria urbana e para a falta de ações preventivas, fazendo com que problemas simples se acumulem até ganharem forma de papel timbrado.
Mas o comportamento do Legislativo também precisa entrar no debate. O crescimento acelerado das indicações indica que parte dos vereadores pode estar mais preocupada em inflar números do que em buscar soluções efetivas. A indicação vira atalho para demonstrar atuação, alimentar redes sociais e gerar engajamento. O desempenho passa a ser medido pela quantidade de pedidos, não pelos resultados concretos.
O resultado vira um ciclo vicioso: vereadores disputam visibilidade com indicações sucessivas, enquanto o Executivo corre atrás de demandas básicas que deveriam estar sob controle permanente. Nesse embate entre ineficiência e marketing político, quem perde é o cidadão, que convive com uma cidade mal cuidada, enquanto assiste à política transformar falhas de gestão em número de curtidas.





