A Reforma Tributária inverte a lógica histórica, o imposto deixa de ficar onde a riqueza é produzida e passa a ir para onde ela é mais consumida. No caso de Itabirito, que produz muito e consome proporcionalmente pouco, isso tende a gerar um desequilíbrio estrutural na arrecadação.
Esse redesenho tributário vai desencadear efeitos diretos. Municípios mineradores produzem muito, mas não concentram o consumo na mesma proporção, além disso o custo de vida é maior nas cidades minerais. Com a nova regra, a população desses locais vai sentir o impacto de forma direta no bolso.

A própria Confederação Nacional de Municípios reconhece essa distorção. Segundo ela, a maioria dos municípios pode ganhar com a reforma, mas os produtores tendem a perder. Itabirito entra exatamente nesse grupo de risco.
O impacto direto no ICMS
Estudos do setor mineral mostram que o impacto é ainda mais agressivo quando se olha apenas para o ICMS. Levantamento da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais e do Brasil (Amig) indica que municípios mineradores podem ter perdas expressivas, em alguns casos, superiores a 80% da receita vinculada ao imposto.
Os percentuais variam de acordo com a metodologia utilizada e o tipo de receita analisada, mas diferentes estudos convergem para um mesmo ponto: municípios com perfil produtivo tendem a perder arrecadação no novo modelo.
Isso acontece porque o novo modelo prioriza critérios populacionais e de consumo, como aponta estudo da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. Nesses casos, o resultado é direto, pois a vantagem de quem produz desaparece
E com isso quem gastou sem planejamento na era da CFEM farta agora entra na zona de risco.
Cidades que não fizeram caixa nos períodos de alta arrecadação com a mineração entram nesse novo cenário mais vulneráveis. Em muitos casos, as despesas cresceram acima da inflação, especialmente em áreas como saúde, educação e folha de pagamento e agora o ajuste será inevitável.
CFEM não resolve o problema
Outro ponto crítico é que a mineração continua sendo tributada basicamente da mesma forma. A CFEM segue existindo, mas não foi criada para compensar perdas tributárias. Estudos doObservatório da Mineração apontam que usar essa compensação como solução pode gerar novas distorções.
Outro problema é que muitos municípios mineradores, como Itabirito, entram nessa nova realidade com uma economia pouco diversificada e isso aumenta o risco. Sem diversificação econômica, o impacto da reforma tende a ser ainda mais duro.
A mensagem é clara! Não dá mais para depender apenas da mineração. O modelo atual se esgotou e a mudança passa a ser obrigatória, não opcional.
2027: o impacto sai do papel
A escolha de 2027 como marco não é por acaso. A reforma prevê um período de transição entre 2026 e 2032, com efeitos progressivos ao longo dos anos. A partir de 2027, o novo modelo começa a influenciar de forma concreta o consumo, os preços e a distribuição de receitas. É quando o problema deixa de ser teórico e vira realidade no caixa das cidades mineradoras.
A saída passa por uma mudança profunda de estratégia no modelo de arrecadação. Itabirito vai precisar estimular a economia local, fortalecer comércio e serviços e buscar novas atividades. Turismo, tecnologia e atração de empresas com maior valor agregado passam a ser caminhos estratégicos.
Mais do que um número fechado, a estimativa de perda de arrecadação revela uma tendência consistente apontada por estudos técnicos: a de que municípios mineradores precisarão rever seu modelo econômico e financeiro para enfrentar uma nova realidade.
Tudo indica que, no novo sistema tributário brasileiro, gerar riqueza pode não ser mais suficiente para sustentar o próprio desenvolvimento.