Enquanto prefeituras correm atrás do Instagram, o rádio segue falando com a população

Os mineiros passam, em média, quatro horas por dia ouvindo rádio. O dado é de uma pesquisa da Quaest apresentada nesta semana durante o evento Rádio e Mercado em Sintonia, realizado em Belo Horizonte.

A pesquisa mostra ainda que 55% dos ouvintes são considerados heavy users, grupo formado por pessoas com alto nível de consumo e engajamento com o meio.

Os números deveriam acender um alerta na comunicação pública.

Nos últimos anos, as prefeituras transformaram o Instagram no centro de suas estratégias de comunicação. Maior parte dos esforços, equipes e investimentos passou a girar em torno de uma única plataforma.

Enquanto isso, o rádio foi sendo tratado como um meio do passado.

A pesquisa sugere justamente o contrário.

O rádio continua forte. E talvez mais forte do que muitos imaginam. A diferença é que ele mudou.

Além das transmissões tradicionais, as emissoras estão presentes em aplicativos, sites, streaming, redes sociais e plataformas de vídeo. O rádio deixou de ser apenas rádio. Tornou-se uma mídia híbrida.

Muitas estruturas de comunicação pública, porém, parecem ter seguido o caminho inverso.

Abandonaram canais consolidados para apostar quase tudo nos algoritmos.

O problema é que o objetivo da comunicação pública não é colecionar curtidas. É fazer a informação chegar ao cidadão.

E os dados mostram que uma parte significativa dessa população continua do outro lado do rádio.