Pesquisa da consultoria mostra que o maior desafio do mercado de trabalho não será a falta de vagas, mas a necessidade de qualificar milhões de profissionais para uma nova forma de trabalhar.
“A inteligência artificial não vai substituir você. Quem vai substituir você é alguém que sabe usar inteligência artificial.”
A frase do economista Richard Baldwin, especialista em comércio internacional e mercado de trabalho, resume o cenário desenhado por uma pesquisa da Gartner.
Depois de anos de previsões sobre uma onda de desemprego provocada pela inteligência artificial, a consultoria apresenta um diagnóstico diferente: a partir de 2028, a IA deve passar a criar mais empregos do que eliminar.
A mudança, porém, não será automática nem tranquila.
Segundo a Gartner, cerca de 32 milhões de empregos serão redesenhados todos os anos. Em vez do desaparecimento em massa de profissões, a tendência é que funções sejam reformuladas, atividades repetitivas sejam automatizadas e novas competências passem a ser exigidas.
O ritmo da transformação impressiona. A consultoria estima que aproximadamente 150 mil pessoas precisarão ser capacitadas diariamente para acompanhar as mudanças no mercado de trabalho.
Na prática, a discussão deixa de ser “quais profissões vão acabar?” e passa a ser “quais profissionais estarão preparados para a nova realidade?”.
Profissões já estão mudando
Os efeitos da inteligência artificial já são percebidos em diferentes áreas.
Jornalistas utilizam IA para organizar informações, transcrever entrevistas e acelerar pesquisas. Advogados analisam documentos e localizam jurisprudência com mais rapidez. Contadores automatizam conferências fiscais. Programadores desenvolvem códigos com apoio de assistentes inteligentes. Professores, médicos e designers também incorporam novas ferramentas à rotina.
O que muda não é a existência dessas profissões, mas a forma como elas são exercidas.
A inteligência artificial na prática
Essa transformação também faz parte da rotina jornalística do Mova-se Inconfidentes.
Ferramentas de inteligência artificial passaram a acelerar etapas como pesquisa documental, organização de dados, revisão de textos, uso de avatares e criação de artes para diferentes plataformas.
O resultado não foi substituir o jornalista.
Foi liberar mais tempo para aquilo que continua dependendo das pessoas. Investigar, entrevistar, checar informações, interpretar dados e cobrar respostas do poder público.
A experiência mostra que a IA amplia a produtividade, mas não substitui o senso crítico, a responsabilidade editorial nem a capacidade de contextualizar os fatos.
O desafio será aprender
A principal conclusão da pesquisa da Gartner é que o futuro do trabalho dependerá menos da tecnologia e mais da capacidade de adaptação das pessoas.
A inteligência artificial continuará transformando praticamente todas as profissões. Quem aprender a utilizá-la ganhará produtividade e competitividade. Quem optar por ignorar essa mudança poderá encontrar mais dificuldades em um mercado cada vez mais exigente.
No fim das contas, a previsão da Gartner reforça a ideia sintetizada por Richard Baldwin: a inteligência artificial não representa apenas uma mudança tecnológica. Ela inaugura uma nova forma de trabalhar, na qual aprender continuamente deixa de ser um diferencial e passa a ser uma necessidade.
Leia a pesquisa completa da Gartner
Marcelo Rebelo | Jornalista e editor do site Mova-se Inconfidentes





