Alta do frete no minério acende alerta para arrecadação de Itabirito

Installation of rotor sails on the world's largest ore carrier, a Valemax vessel, 'Sohar Max' owned by Asyad.

A redução da produção de minério anunciada pela CSN em Ouro Preto acende um alerta para Itabirito, município que depende fortemente da atividade mineral e da arrecadação da CFEM.

A medida da CSN não atinge diretamente Itabirito, mas mostra que a pressão no mercado de minério já começa a afetar decisões de produção em Minas Gerais.

Para o município, isso importa porque uma queda na produção ou na comercialização das mineradoras que atuam em Itabirito pode reduzir a geração de CFEM.

Segundo reportagem do Fator, a CSN Mineração anunciou nesta terça-feira (29) que vai reduzir a produção de minério de baixa qualidade no complexo de Pires, em Ouro Preto.

A empresa atribuiu a decisão ao aumento do custo do frete marítimo e a um cenário de mercado mais apertado.

Com a mudança, a projeção de produção e compra de minério de terceiros da CSN para 2026 caiu de 45 a 47 milhões de toneladas para uma faixa entre 39 e 41 milhões.

Dados da Agência Nacional de Mineração mostram que a geração de CFEM em Itabirito está fortemente concentrada.

Entre janeiro e junho de 2026, foram gerados R$ 119,54 milhões em CFEM no município.

Desse total, 79,08% estavam vinculados à Vale. Somadas, Vale e Mineração Conemp responderam por 89,41% de toda a CFEM gerada em Itabirito no período.

Isso aumenta a exposição do município a mudanças importantes na produção dessas empresas.

CFEM já caiu neste ano

No primeiro semestre de 2025, a CFEM gerada em Itabirito somou R$ 136,69 milhões.

No mesmo período de 2026, caiu para R$ 119,54 milhões.

A redução foi de aproximadamente 12,5%.

A Vale permaneceu praticamente estável, enquanto a maior queda ocorreu na Mineração Conemp.

Essa redução aconteceu antes do anúncio da CSN e não pode ser atribuída à atual alta do frete marítimo.

Frete mais caro pressiona o setor

Segundo o Fator, o custo do transporte marítimo do minério brasileiro até a China praticamente dobrou.

A rota Tubarão–Qingdao estava em cerca de US$ 19 por tonelada no mesmo período do ano passado e agora está próxima de US$ 40.

Com o frete mais caro, algumas operações passam a ter margens menores, o que pode levar mineradoras a reduzir produção.

Até então, esse movimento vinha atingindo principalmente empresas pequenas e médias. A decisão da CSN mostra que a pressão também chegou a uma das maiores produtoras do país.

E Itabirito?

O impacto sobre Itabirito dependerá de como as mineradoras que operam no município reagirão ao novo cenário.

Se houver redução de produção ou comercialização nas operações locais, a geração de CFEM também pode cair.

Até o momento, porém, não há informação de que a Vale tenha reduzido sua produção em Itabirito por causa desse movimento.

O caso da CSN serve como um sinal de atenção: em um município fortemente ligado à mineração, mudanças no mercado internacional podem chegar à arrecadação local.

Fontes: Agência Nacional de Mineração (ANM) e reportagem do Fator, publicada em 29 de setembro de 2026.