Desaceleração do mercado de minério pressiona receitas e acende alerta em 2026

A desaceleração do mercado global de minério de ferro, projetada para 2026, acende um sinal de alerta para municípios altamente dependentes da mineração, como Itabirito. Análises divulgadas pela Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (Amig) indicam que, após um período em que a valorização do dólar conseguiu amortecer perdas, esse ano vai impor um cenário mais desafiador para a Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), uma das principais fontes de receita da prefeitura.

Em 2025, mesmo com a queda de 8% no preço médio do minério de ferro, a arrecadação nacional da CFEM se manteve em alta, superando os números de 2024. Esse desempenho foi sustentado pela valorização do dólar frente ao real e pelo aumento do volume produzido e exportado.

Projeções de mercado em 2026, apontam o minério de ferro operando abaixo de US$ 100 por tonelada, com médias estimadas de US$ 90. Trata-se de um patamar considerado sensível, próximo ao ponto de equilíbrio para os produtores globais. Nesse contexto, qualquer oscilação adicional, seja na demanda chinesa, na oferta internacional ou no câmbio, pode gerar impactos diretos sobre a produção e, diretamente, sobre a CFEM.

Para os municípios, cuja economia e finanças públicas são fortemente atreladas à mineração, o reflexo é direto. Uma eventual redução na arrecadação da CFEM poderá comprometer a capacidade de investimento, afetar o planejamento orçamentário e ampliar a dependência de receitas voláteis, sujeitas a fatores externos sobre os quais a administração local não tem controle.

As análises da AMIG reforçam que o cenário de 2025 não deve ser tomado como referência segura para o futuro. Com isso, cresce a necessidade de prudência na elaboração do orçamento municipal, evitando projeções baseadas em picos de arrecadação.