Quando perder é também um ato político de vitória

Dr Edson, Ézio Pimenta e Renê Butekus vão para o confronto

Por Marcelo Rebelo
Jornalista e editor do site Mova-se Inconfidentes

A eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Itabirito, marcada para o dia 22 de dezembro, carrega um simbolismo que vai muito além do placar previsível de votos. Desta vez, a oposição, mesmo minoritária e dada como derrotada antes do apito inicial, resolveu fazer o óbvio que, paradoxalmente, faltou no ano passado: disputar.

Pode parecer pouco. Não é!

No dia 15 de dezembro, duas chapas foram protocoladas. A Chapa 1, da situação, tem Léo do Social como presidente, Danilo Grilo como vice-presidente e Fernando da Sheila como secretário. Trata-se de uma vitória anunciada, alinhada ao Executivo e sustentada por uma base sólida: 11 dos 15 vereadores.

Do outro lado, a Chapa 2, da oposição, traz Dr. Edson como presidente, Ezio Pimenta como vice-presidente e René Butekus como secretário. É esperado que tenham apenas quatro votos, é verdade, mas desta vez esses vereadores compreenderam algo elementar na política: não disputar é a pior forma de perder.

Na eleição passada da Mesa Diretora, essa mesma oposição protagonizou um dos episódios mais constrangedores deste mandato. Não lançou chapa e ainda votou em peso na chapa do aliado do prefeito, Marcio Juninho, endossando, na prática, aquilo que dizia combater.

O impacto foi direto na credibilidade. O eleitor oposicionista não entendeu e com razão. As críticas foram duras, públicas e persistentes, pois a decisão soou como fraqueza, desorganização e ausência de estratégia. Para completar o constrangimento, o único gesto dissonante veio da própria base governista, com a abstenção da vereadora Rose da Saúde diante da chapa única.

Agora, o cenário é outro. Não porque a oposição vá vencer, os números não permitem ilusões, mas porque, ao lançar uma chapa própria, ela volta a ocupar o seu lugar político. Disputar a Mesa Diretora não é apenas buscar status e cargos; é afirmar identidade, marcar posição e sinalizar à cidade, especialmente ao eleitor de oposição que existe um campo disposto a confrontar e fiscalizar.

A chapa encabeçada por Dr. Edson não altera o resultado, mas muda o enredo. Sai a oposição que assiste passiva e entra a que enfrenta e bate de frente contra o sistema, ainda que em minoria.

A eleição será na última reunião do ano legislativo e talvez represente um fechamento adequado para um período marcado por desequilíbrios de força. Perder faz parte do jogo político. Abdicar de disputar, não! Desta vez, a oposição entendeu o recado e, um simples gesto de lançar uma chapa já se traduz como um passo importante de resistência política.