Mesa é eleita, mas discurso de Dr. Edson rouba a cena no plenário

A última reunião da Câmara Municipal de Itabirito, realizada no dia 22 de dezembro, chamou a atenção não apenas pela eleição da nova Mesa Diretora, vencida pela Chapa 1, mas, sobretudo, pelo discurso duríssimo e inflamado do vereador oposicionista Dr. Edson, que transformou o plenário em um verdadeiro campo de confronto político às vésperas do recesso legislativo.

Enquanto a base governista comemorava a vitória na eleição da Mesa, resultado já esperado nos bastidores, o clima de normalidade durou pouco. Bastou Dr. Edson subir à tribuna para que o tom da sessão mudasse radicalmente.

Em um discurso sem rodeios, o vereador disparou contra a atual Mesa Diretora e os parlamentares da base aliada, denunciando o que classificou como “desigualdade, privilégios e falta de sensibilidade com o momento econômico vivido pelo município”. O ponto central da crítica foi a ausência de um teto máximo para gastos com diárias, tanto para vereadores quanto para servidores da Câmara. “É um absurdo não poder sequer discutir a criação de um teto para diárias. Uns podem tudo, outros nada. Isso ofende. Isso choca”, disparou o vereador.

Dr. Edson também comparou a postura do Legislativo com a da Prefeitura, que, segundo ele, vem promovendo cortes duros nos benefícios dos servidores, como vale-refeição e bônus natalino, em uma tentativa de equilibrar as contas, equilíbrio este que, na avaliação do parlamentar, se dá também em função do excesso de indicações políticas feitas por vereadores aliados ao Executivo.

Na contramão desse cenário de contenção, o vereador acusou a Câmara de tentar “fechar o ano criando mais três cargos com salários entre R$ 7 mil e R$ 15 mil”, o que, para ele, revela um completo descompasso com a realidade financeira e social do município.

O tom subiu ainda mais quando Dr. Edson classificou como “desespero” a decisão da Mesa de convocar reuniões extraordinárias nos dias 23, 26 e 29 de dezembro para aprovar, “a todo custo”, a criação desses cargos. “Se depender de mim e da bancada de oposição, esses cargos não serão criados”, garantiu o parlamentar.

O vereador também rebateu críticas direcionadas a ele sobre a manutenção de seus assessores. Segundo Dr. Edson, há uma tentativa deliberada de desviar o foco do verdadeiro problema. “O problema não são assessores que ganham dois salários mínimos. O problema são os comissionados da Mesa, com salários de dois dígitos: R$ 10 mil, R$ 12 mil, R$ 15 mil e ainda com diárias de viagem”, denunciou.

Em outro trecho contundente, Dr. Edson foi ainda mais longe ao afirmar que a Câmara poderia ter feito cortes mais profundos ao longo do ano. Segundo ele, em vez de devolver R$ 1,5 milhão ao Executivo, o Legislativo poderia ter devolvido R$ 2,5 milhões, valor suficiente até mesmo para ajudar no pagamento do bônus natalino dos servidores municipais. “Mas como a Câmara tem orçamento próprio, age como se pudesse gastar como se não houvesse amanhã”, criticou.

A sessão terminou com a Mesa Diretora eleita, mas visivelmente incomodada. O discurso de Dr. Edson escancarou fissuras, expôs privilégios e deixou claro que o embate entre base e oposição seguirá intenso em 2026. Se a vitória da Chapa 1 garantiu o controle formal da Casa, o vereador oposicionista saiu da reunião com o protagonismo político da noite e com um recado claro: o recesso pode até chegar, mas o conflito está longe de terminar.