Recentemente, o empresário Gary Vaynerchuk, o Gary Vee, lançou uma provocação que deveria servir como um alerta geral: em pouco tempo, quem produz conteúdo passará a disputar espaço com bilhões de influenciadores criados por inteligência artificial. Pode soar como um exagero futurista, mas a lógica por trás disso já é realidade e avança em uma velocidade impressionante.
Hoje, qualquer pessoa ou instituição consegue criar avatares de IA que apresentam vídeos diariamente, gerar roteiros completos com voz e legendas automáticas e responder cidadãos por meio de chatbots inteligentes. É possível produzir conteúdos prontos em poucos minutos, sem depender de grandes equipes ou orçamentos cinematográficos. A escala mudou, a velocidade mudou e, principalmente, a disputa pela atenção mudou.
Enquanto isso, boa parte da comunicação pública ainda opera em um ritmo analógico, marcado por postagens frias, linguagem burocrática e conteúdos que não geram conexão real com o cidadão. O ponto central aqui não é a falta de acesso à tecnologia, mas a falta de visão. Muitas vezes, o comodismo impede que o setor público enxergue a IA como a solução para um problema antigo: a ineficiência na forma de se comunicar.
A inteligência artificial não veio para substituir o fator humano no setor público, mas para potencializá-lo. Ela permite reduzir custos, acelerar processos e transformar a comunicação institucional em algo simples, direto e, acima de tudo, útil. Já é perfeitamente viável usar avatares para explicar serviços complexos, automatizar informações sobre campanhas e prazos, e manter uma presença digital ativa sem sobrecarregar as equipes técnicas.
O grande entrave é que, enquanto o mundo já disputa atenção em escala global, muitas instituições ainda tratam suas redes sociais como um antigo mural de avisos físico. Essa postura traz consequências reais para a administração, pois comunicar mal hoje não é apenas uma falha de imagem, é uma falha de gestão. Afinal, informação que não chega, não resolve; e serviço que o cidadão não compreende, simplesmente não funciona.
A provocação de Gary Vee não descreve um futuro distante, mas o presente imediato. A inteligência artificial já mudou as regras do jogo e o setor público precisa decidir, agora, se continuará assistindo à evolução das arquibancadas ou se começará a jogar nesse novo nível. No fim das contas, a lógica é simples e implacável: quem comunica melhor, governa melhor.





