​Menos lacração, mais ação: o Sindsemi erra a prioridade

Atual diretoria do Sindsemi, durante posse dia 15/06

Sou sindicalizado há quase dez anos e apoiei a eleição da atual diretoria. O grupo Mova-se também deu espaço e apoio a esse projeto na expectativa de ver um sindicato presente, combativo e capaz de unificar os servidores. É justamente por ter ajudado a construir essa gestão que faço esta cobrança: o Sindsemi precisa decidir se quer ser um sindicato de todos ou um comitê partidário de poucos.

A prioridade dada à carta eleitoral publicada pela entidade no último dia 23 foi um erro crasso. Ao tomar partido na disputa nacional, a direção alija os servidores de direita e os neutros, reproduzindo a mesma polarização rasa que já destrói o debate público. O sindicato existe para defender a categoria, independente do voto de cada um, e não para fazer militantismo ideológico (“lacração”) que só afasta a base.

Enquanto gasta energia com panfletagem política, o Sindsemi deixa em segundo plano o que realmente importa: onde está a cobrança firme pelos retroativos da pandemia? Qual o plano de ação real para destravar a suspensão das progressões e promoções do servidor de Itabirito?

A matemática da omissão é clara. Dados da própria entidade indicam cerca de 250 associados para um universo de 3.298 servidores na folha municipal de setembro. O sindicato fala por menos de 10% da categoria. Em vez de criar barreiras ideológicas que repelem novos filiados, a direção deveria estar nos setores, ouvindo quem discorda, prestando contas e negociando com transparência.

Fortalecer o sindicato não é passar pano para erro de gestão. Continuo defendendo a filiação, mas exijo uma atuação à altura do mandato que receberam. Chega de divergência partidária importada e menos palanque: o servidor quer presença, transparência nas negociações e resultados concretos.