Poucos dias depois de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o ex-prefeito Orlando Caldeira está de volta ao primeiro escalão da Prefeitura de Itabirito. Nomeado chefe de Gabinete, ele retorna ao Executivo com poderes administrativos e financeiros relevantes, em uma movimentação que vai além da simples troca de ocupantes de um cargo.
Os decretos nº 17.635, 17.636 e 17.637/2026, publicados no Diário Oficial de Itabirito em 15 de outubro, oficializaram a exoneração de Raphael Von Rondow Nascimento, a nomeação de Orlando Caldeira e a delegação de competências administrativas e financeiras ao ex-prefeito. Entre as atribuições estão a ordenação e liquidação de despesas, a assinatura de processos licitatórios e de convênios, além de outros atos previstos no decreto.
Na prática, o ex-prefeito passa a ocupar uma posição estratégica, próxima das principais decisões administrativas. O retorno também recoloca em discussão a distribuição de poder dentro do governo de Élio da Mata, que foi seu vice-prefeito e chegou ao comando da Prefeitura com o apoio do mesmo grupo político.
O peso de Orlando e o espaço de Élio
Orlando governou Itabirito por dois períodos consecutivos, entre 2019 e 2024. Sua experiência administrativa e influência política ajudam a explicar o retorno ao governo. Mas a movimentação também coloca o atual prefeito diante de uma questão delicada: qual será seu próprio espaço de liderança com o antecessor novamente no centro das decisões?
A presença de Orlando pode reforçar a articulação e a capacidade de gestão do Executivo. Por outro lado, também pode alimentar a percepção de que Élio da Mata depende politicamente do ex-prefeito para conduzir a administração.
O retorno acontece em um momento de questionamentos ao governo municipal. A suspensão de promoções e progressões de servidores, por exemplo, provocou reação do Sindsemi e críticas na Câmara. É um dos conflitos que a administração enfrenta e que passam a compor o cenário político encontrado por Orlando.
Ao assumir uma função estratégica, o ex-prefeito não retorna apenas para compartilhar decisões. Também se aproxima da responsabilidade política pelos acertos e problemas da gestão.
As urnas de 2026 e o desafio de 2028
A candidatura de Orlando a deputado estadual funcionou como um teste de sua força eleitoral. Ele recebeu 8.263 votos em Itabirito, contra 5.084 do vereador Renê Butekus, seu principal concorrente local. Embora não tenha sido eleito, demonstrou conservar uma base eleitoral expressiva no município.
O resultado o mantém como uma das principais lideranças do grupo governista para a sucessão municipal de 2028. Entretanto, a força demonstrada nas urnas não elimina os riscos políticos de seu retorno à Prefeitura.
Ao ocupar novamente um posto de comando, Orlando vincula sua imagem de forma ainda mais direta ao desempenho da administração de Élio da Mata. Se o governo conseguir responder às cobranças da população, sua presença poderá fortalecer o grupo. Se o desgaste continuar, a oposição poderá explorar justamente a associação entre os dois governos.
Essa é a contradição central da movimentação. Orlando retorna com experiência, votos e influência, mas também passa a compartilhar o desgaste político de uma administração que enfrenta críticas.
A eleição de 2028 ainda está distante e não há candidatura oficialmente anunciada. Por enquanto, a questão mais imediata é outra: o retorno de Orlando vai fortalecer a liderança de Élio da Mata ou reforçar a percepção de que o centro político do governo continua nas mãos do ex-prefeito?
Fonte documental: Diário Oficial Eletrônico do Município de Itabirito (DOEMI), edição nº 294, de 15 de outubro de 2026, páginas 1 e 2, decretos nº 17.635, 17.636 e 17.637/2026.
Marcelo Rebelo | Jornalista e editor do Mova-se Inconfidentes





