As urnas de 2026 deixaram um novo retrato das forças políticas de Itabirito. Orlando Caldeira, Renê Butekus e Ricardo Oliveira saíram da eleição com números que ajudam a medir o tamanho de suas bases locais e que certamente entrarão nas articulações políticas dos próximos anos. Orlando está ligado ao grupo que comanda a Prefeitura; Renê e Ricardo ocupam hoje o campo da oposição.
Na disputa para deputado estadual, Orlando recebeu 8.263 votos em Itabirito, contra 5.084 de Renê: uma vantagem de 3.179 votos. O ex-prefeito venceu esse confronto local, mas a diferença entre as estruturas de campanha também chama atenção. Enquanto Orlando gastou cerca de R$ 320 mil, Renê ficou na faixa de R$ 7,5 mil.
Orlando teve aproximadamente 63% mais votos na cidade, com um volume de despesas mais de aproximadamente 43 vezes maior. Dinheiro não explica sozinho uma votação, e os gastos abrangem a campanha em todo o estado. Ainda assim, o contraste ajuda a dimensionar os 5.084 votos de Renê, obtidos com uma estrutura financeira muito menor.
A concentração dos votos reforça o caráter local dessas candidaturas. Orlando terminou com 12.019 votos em Minas, dos quais cerca de 69% vieram de Itabirito. Renê recebeu 5.997 votos no estado, com aproximadamente 85% na cidade. Concorreram à Assembleia, mas foi em casa que os dois sustentaram a maior parte de suas votações.
Politicamente, os números oferecem munição para leituras diferentes. Orlando confirma que mantém uma base eleitoral relevante e segue como um nome importante do grupo governista. Renê, vereador em seu terceiro mandato, coloca mais de cinco mil votos na mesa e amplia seu peso nas conversas do campo oposicionista.
Ricardo Oliveira também entra nessa leitura, embora tenha disputado outro cargo. Candidato a deputado federal, recebeu 3.083 votos em Itabirito e 3.435 em Minas: quase 90% de toda a sua votação veio da cidade. Sua campanha gastou cerca de R$ 150 mil.
Ex-vereador e duas vezes candidato a prefeito, Ricardo voltou às urnas e mostrou que ainda mantém uma base própria no eleitorado local. A disputa federal não permite uma comparação direta com Orlando e Renê, mas o resultado mantém seu nome presente no tabuleiro político da oposição.
Os números não confirmam candidaturas para 2028 e nem garantem que esses votos se repitam numa eleição municipal. Também não permitem somar as votações de Renê e Ricardo como se formassem um único bloco, já que o mesmo eleitor podia votar nos dois para cargos diferentes.
Mas a eleição deixou um ponto de partida mais concreto. Orlando segue com a maior votação local entre os três nomes; Renê colocou mais de cinco mil votos na urna com uma estrutura muito menor; e Ricardo mostrou que ainda conserva uma base própria na cidade. Até 2028, alianças, rupturas e o desempenho do governo podem mudar completamente esse quadro.
O jogo municipal ainda está longe de ser definido. Mas, depois das urnas de 2026, cada grupo já sabe com mais clareza o tamanho da base que conseguiu levar para dentro da cabine de votação.
Fonte: Tribunal Superior Eleitoral — Resultados das Eleições 2026 e dados de prestação de contas das campanhas.





