A mineração continua injetando cifras milionárias nos cofres das cidades mineiras. Em março de 2026, os novos dados da CFEM reforçaram o abismo entre a alta arrecadação e a dificuldade de algumas administrações em converter esses recursos em qualidade de vida para a população.
Os números impressionam. Conceição do Mato Dentro lidera; Congonhas, Nova Lima e Paracatu completam o topo, mantendo a concentração de sempre. Itabirito aparece no ranking em oitavo lugar, com uma arrecadação superior a R$ 13 milhões em um único mês. Diante de tais cifras, a pergunta torna-se inevitável: esse montante tem sido percebido no dia a dia da cidade?”
Arrecadar virou rotina. O verdadeiro desafio tem sido mostrar o resultado prático dessa compensação.

A Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais e do Brasil (Amig) tem reiterado que a CFEM não é um bônus e sim uma compensação. É um recurso que deveria retornar obrigatoriamente em infraestrutura, saúde, mobilidade e bem-estar. É o mínimo esperado. Mas, na prática, o que se vê é um cenário paradoxal: cidades ricas em arrecadação, mas deficitárias em entregas.
Quando o recurso continua caindo na conta e a percepção da população permanece estagnada, o problema deixa de ser financeiro e passa a ser de gestão.
O ranking divulgado pelo portal Cidades Minerais não é apenas uma lista técnica, é um espelho. Ele mostra quem está aproveitando a oportunidade histórica e quem está deixando o desenvolvimento escorrer pelos dedos.
No fim das contas, a realidade se impõe e a pergunta que fica não é contábil, é política: o dinheiro da mineração está transformando a cidade ou apenas inflando o tamanho do orçamento?
Marcelo Rebelo é jornalista e editor site Mova-se Inconfidentes





