Sindsemi 2026: Sindicato será escudo do servidor ou puxadinho do gabinete?

A disputa no Sindsemi deixou de ser apenas sobre direitos e virou jogo político. O servidor de Itabirito não pode se enganar. O que está em votação agora é quem vai dar as cartas no Sindicato. A pergunta é curta e grossa: você quer uma entidade que lute pelo trabalhador ou um Sindicato que funcione como um puxadinho do gabinete?

A eleição da nova diretoria vai acontecer em 16 de maio e podem votar os servidores sindicalizados. O oficialização das duas chapas não deixa margem nenhuma para dúvidas de que a estratégia de ocupação está clara:

A Chapa 1, “Juntos Somos Mais Fortes: Quem Luta Conquista”, ligada à atual direção do Sindsemi, aposta em um discurso de enfrentamento e independência diante da administração municipal. O próprio nome da composição reforça a ideia de mobilização e resistência sindical, reunindo nomes conhecidos do funcionalismo e uma linha mais combativa.

Já a Chapa 2, “Sindicato para Todos”, tenta se apresentar como alternativa de diálogo e amplitude. Entretanto, surge ancorada por nomes simpáticos ao governo e comissionados. O rótulo de “chapa branca” não é gratuito; é o reflexo de uma composição que cheira a alinhamento com o poder.

O cenário na prefeitura revela um ambiente, onde o diálogo foi substituído pela pressão e se faz necessário um Sindicato atuante e independente em prol do servidor.

E não se enganem: Sindicato que senta à mesa como aliado do prefeito não tem força para bater na mesa pelo servidor. É na verdade um Sindicato inútil. A eleição deste ano é um teste de sobrevivência.

O servidor sabe que, quando o calo aperta, ele não precisa de uma “ponte” com o governo; ele precisa de uma trincheira.

A pergunta é dura, mas necessária. O Sindsemi continuará sendo a voz de quem trabalha ou passará a ser o eco de quem manda? O preço da submissão é o fim da autonomia. E esse preço quem paga é você, servidor.

Marcelo Rebelo | Jornalista e editor do Mova-se Inconfidentes