Nem toda propaganda parece propaganda.
Às vezes ela veste roupa de notícia, ganha aparência de jornalismo e circula como informação imparcial.
Agora, esse modelo entrou no radar da Polícia Federal.
A Operação Mídia Cativa investiga suspeitas de pagamentos clandestinos para produção de conteúdos favoráveis a governos e ataques contra adversários políticos. Na prática, um esquema que lembra aquilo que o meio político já apelidou de “mídias do Pix”.
O caso ocorreu em Jaú, Dois Córregos e Nhandeara, no interior de São Paulo. Mas a discussão que emerge da investigação está longe de ser um problema exclusivamente paulista.
Em diversas regiões do país, inclusive em Itabirito e na região dos Inconfidentes, cresce o questionamento sobre a dependência financeira de determinados veículos, páginas e influenciadores em relação ao poder público.
Quando uma mídia passa a sobreviver exclusivamente da boa vontade de governos, desaparece a fronteira entre jornalismo, publicidade e militância política.
A população tem o direito de saber quem financia a informação que consome.
Tem o direito de saber quando uma publicação é jornalística.
E tem o direito de saber quando está diante de propaganda política disfarçada de notícia.
A investigação da Polícia Federal ainda está em andamento e cabe à Justiça apurar responsabilidades.
Mas uma coisa já está clara. A discussão sobre transparência na relação entre dinheiro público, comunicação e influência política entrou definitivamente no radar das autoridades.





