Candidato preguiçoso e deslumbrado com curtida em post tosco de IA é o retrato da derrota anunciada. O amadorismo escancara: o algoritmo entrega aplauso, mas a urna não aceita filtro.
A cena virou rotina nos *feeds* e já está virando meme. Sem noção de estratégia, o candidato solta imagens bizarras geradas por Inteligência Artificial: intervenções de engenharia impossíveis e uma “cidade utópica” que só existe na nuvem. A bolha curte, o autor do *prompt* se sente um fenômeno, mas a realidade das ruas ignora o espetáculo de baixa qualidade.
O erro é de leitura. Aventureiros tratam visualização como se fosse pesquisa, esquecendo que o conteúdo circula apenas entre os já convertidos. É o isolamento “engajado”: o sujeito brilha no Instagram com estética *fake*, mas desaparece no cotidiano de quem realmente decide o jogo.
**O que chama atenção, no entanto,** é o desconhecimento do marketing político básico. Vamos desenhar: campanha vencedora não vive de post; vive de método. Enquanto o amador brinca de gerar imagem, o profissional ocupa o território com o que o digital não substitui.
### O segredo não é o algoritmo
Os princípios de quem ganha eleição são trabalhosos, mas imbatíveis:
* **Sola de sapato:** Ouvir a dor real do bairro, não o que o ChatGPT “acha” que é o problema.
* **Articulação real:** Formar grupos de lideranças e construir bases sólidas no aperto de mão.
* **Substância:** Ter propostas viáveis que não desmoronam no primeiro debate.
* **IA estratégica:** Usar tecnologia para análise de dados e planejamento, não para criar avatares que ninguém reconhece na padaria.
**Na prática,** o digital amplia a mensagem, mas ela precisa ter alma. Sem planejamento e presença real, a IA é apenas um filtro barato para esconder a preguiça e a falta de capacidade técnica.
O roteiro é previsível: na segunda-feira pós-eleição, o candidato “do prompt” acorda derrotado. Descobre, tarde demais, que foi apenas um meme e que o eleitor não vota em avatar.
*Por Marcelo Rebelo | Jornalista e editor do Mova-se Inconfidentes*





