Itabirito arrecadou R$ 2,6 bilhões em royalties da mineração em 10 anos. O que mudou na cidade?

Os números da arrecadação foram levantados pela Agência Nacional de Mineração (ANM)

Itabirito arrecadou R$ 2,64 bilhões em Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) entre 2016 e 2025. Os dados são da Agência Nacional de Mineração (ANM) e foram compilados pelo perfil Cidades Minerais.

O valor impressiona e muito.

E para efeito de comparação, ele supera diversas vezes o orçamento anual que o município possuía há pouco mais de uma década.

O salto mais expressivo ocorreu a partir de 2020. Naquele ano, a arrecadação da CFEM ultrapassou R$ 254 milhões.

Em 2021, o número bateu R$ 522 milhões.

Nos anos seguintes, mesmo após a queda do pico histórico, os repasses continuaram acima dos R$ 260 milhões anuais.

Ao todo, mais de R$ 2 bilhões entraram nos cofres municipais nos últimos seis anos.

Os números ganham relevância em um momento em que a Prefeitura discute a utilização de R$ 91 milhões em superávit financeiro apurado ao final de 2025 e mantém medidas de contingenciamento de despesas em diferentes áreas da administração.

São temas diferentes.

Mas que inevitavelmente se encontram quando a discussão chega ao bolso do contribuinte.

Afinal, o município recebeu R$ 2,6 bilhões em royalties da mineração em uma década.

O que essa arrecadação deixou como legado para a população?

Quais investimentos estruturantes foram realizados?

Quais problemas históricos foram efetivamente resolvidos?

E por que, mesmo após uma arrecadação bilionária, o debate sobre contenção de despesas e equilíbrio fiscal continua presente na administração pública?

As respostas podem variar de acordo com a visão política de cada um.

Os números, porém, são objetivos.

Entre 2016 e 2025, R$ 2,64 bilhões provenientes da mineração passaram pelos cofres de Itabirito.

E essa talvez seja uma das discussões mais importantes para o futuro da cidade: não apenas quanto se arrecada, mas o que efetivamente fica para a população.

Marcelo Rebelo | Jornalista e editor do site Mova-se Inconfidentes