Você já se perguntou por que o asfalto da sua cidade parece durar tão pouco?
A pergunta se repete todos os anos, especialmente quando chegam as primeiras chuvas. Não faltam anúncios de recapeamentos, manutenções e grandes intervenções urbanas. Milhões de reais são investidos, máquinas ocupam as ruas e as obras ganham espaço nas redes sociais. Ainda assim, pouco tempo depois, os buracos reaparecem como se nada tivesse sido feito.
É nesse ponto que surge a dúvida inevitável: se o investimento é milionário, por que o problema continua?
Talvez existam explicações técnicas para cada caso. O que causa estranheza, porém, é a repetição da história. Quando uma rua recém-recapeada começa a apresentar defeitos em poucos meses e a mesma solução precisa ser aplicada sucessivamente no mesmo lugar, a impressão é de que algo está errado.
E, quando algo está errado, alguém deveria estar cobrando respostas.
A prefeitura precisa explicar. Os vereadores precisam fiscalizar. Afinal, o cidadão não avalia relatórios nem discursos. Ele avalia a rua por onde passa todos os dias.
E o que ele vê é um ciclo conhecido. A obra acontece, o problema volta, novos recursos são gastos e a promessa de solução definitiva fica para depois.
Talvez o maior problema não seja o buraco.
Talvez seja a facilidade com que nos acostumamos com ele.
Porque uma cidade pode conviver com chuvas fortes. O que não deveria aceitar com naturalidade é gastar milhões para enfrentar os mesmos problemas todo ano.
No fim, o buraco no asfalto é apenas a parte visível da história.
A pergunta que continua sem resposta é outra.
Por que seguimos pagando pela mesma solução sem resolver o mesmo problema?
Marcelo Rebelo | Jornalista e editor do site Mova-se Inconfidentes





