O clique à direita e o novo voto da Geração Z

Durante décadas, juventude e esquerda caminharam juntas no imaginário político brasileiro.

Agora o cenário começa a mudar.
E a mudança nasce dentro do celular.

Pesquisa divulgada pelo Poder360 mostra que Geração Z e Millennials lideram a identificação com a direita no país.

Entre os jovens da Geração Z, 52% se dizem alinhados à direita ou centro-direita.
Na geração X, esse número cai para 34%.

O movimento aparece também nas intenções de voto.

Levantamento Meio/Ideia aponta Flávio Bolsonaro com 55,2% entre eleitores de 16 a 24 anos. Lula aparece com 30% na mesma faixa.

Pesquisa Atlas Intel mostra que o jovem se inclina para a direita

A mudança ajuda a desmontar uma velha lógica da política brasileira.

Por décadas, o jovem foi tratado como eleitor naturalmente progressista. O algoritmo bagunçou essa conta.

A direita aprendeu a disputar atenção. Transformou vídeos curtos, memes e cortes virais em linguagem política. Não vende apenas discurso. Vende identidade.

O feed substituiu parte da militância tradicional.

Antes, a formação política passava pelo sindicato, partido ou universidade.
Agora passa pelo Reels, TikTok e YouTube.

No ambiente digital, a estética importa tanto quanto a proposta.

O discurso direto, antissistema e emocional encontra terreno fértil numa geração criada online.

Influência nas redes sociais                      Mesmo representando apenas 12% do eleitorado, os jovens possuem influência desproporcional nas redes.

Eles viralizam temas, criam tendências e empurram debates para outras gerações.
Hoje, alcance também é capital político.

A esquerda ainda mantém força institucional e cultural em vários espaços.

Mas a direita entendeu primeiro a lógica da atenção digital. E atenção virou poder.

O algoritmo não decide sozinho uma eleição.

Mas já ajuda a definir quem será ouvido. E o futuro das urnas pode nascer exatamente daí.

Marcelo Rebelo | Jornalista e editor do Mova-se Inconfidentes