Mais de 70 requerimentos sem resposta. Alguns há mais de um ano. E a pergunta já nem é sobre transparência.
É sobre autoridade.
Porque quando uma Prefeitura simplesmente ignora dezenas de pedidos oficiais de informação feitos por um vereador. O recado político é brutal.
A Câmara de Itabirito deixou de meter medo. Virou protocolo. Carimbo. Figurante.
Durante discurso na tribuna, segunda-feira (11), o vereador Ezio Pimenta expôs aquilo
que muitos já constataram faz tempo. O Executivo simplesmente ignora.
Não responde requerimento. Não responde fiscalização. Não responde cobrança. Não responde vereador.
E aparentemente, não acontece nada.
Setenta requerimentos ignorados do vereador Ézio não são um problema burocrático. São o retrato político de uma Câmara sem serventia. É o fundo do poço.
Esse pouco caso escancara o tamanho do desgaste de um Legislativo que perdeu capacidade de pressão institucional.
Porque requerimento não é favor. Não é “gentileza” da prefeitura.
É instrumento básico de fiscalização.
Quando a resposta não vem, o que está sendo ignorado não é apenas um vereador.
É a própria função do Legislativo de Itabirito.
E aqui mora o ponto mais constrangedor da história. Se um parlamentar lamenta publicamente que passou mais de um ano sendo ignorado e mesmo assim nada muda.
O problema talvez não esteja só na Prefeitura. Talvez esteja numa Câmara que passou anos abrindo mão do enfrentamento.
Um Legislativo domesticado. Que acostumou o Executivo a não temer consequência alguma. Agora colhe o resultado.
A gestão ignora. Os vereadores reclamam. E a cidade assiste ao rebaixamento institucional virar rotina.
No fim, sobra uma pergunta desconfortável.
Se nem o vereador Ézio Pimenta consegue obter respostas, imagina o cidadão comum.
Marcelo Rebelo | Jornalista e editor do site Mova-se Inconfidentes





