Nenhum governo gosta de sindicato independente. Porque sindicato forte questiona. Pressiona. Expõe problema.
Dá voz para servidor que, muitas vezes, fala sob medo e pressão silenciosa dentro da máquina pública.
É exatamente por isso que a eleição do Sindsemi deixou de ser apenas uma disputa sindical.
Ela virou disputa política.
Nos bastidores da prefeitura, cresce a percepção de que controlar ou influenciar o sindicato interessa muito mais do que parece.
E não é difícil entender o motivo.
Um sindicato independente pode denunciar perseguições, cobrar transparência, enfrentar arbitrariedades e pressionar administrações quando direitos começam a ser ameaçados.
Já um sindicato alinhado ao poder tende a se transformar em protocolo.
Em silêncio institucional.
Em entidade decorativa.
Nos últimos meses, o ambiente dentro do funcionalismo municipal passou a conviver com discussões sobre PADs, pressão interna e medo de exposição.
Nesse cenário, cresce também a importância de uma representação sindical firme.
Porque servidor acuado não precisa de entidade que passe pano para governo.
Precisa de proteção.
Precisa de enfrentamento.
Precisa de voz.
E talvez seja exatamente isso que esteja em jogo na eleição do Sindsemi.
Mais do que escolher uma diretoria, o servidor decidirá qual será o papel do sindicato diante do poder:
incomodar… ou se acomodar.
Porque quando um sindicato para de incomodar, ele começa a servir ao poder.
Marcelo Rebelo | Jornalista e editor do site Mova-se Inconfidentes





